quinta-feira, 19 de agosto de 2010

No Brasil o que vale é a rima

Burrice rima com idiotice
Sacanagem rima com pilantragem
Forró da mesmice rima com cafonice
Luan Santana rima com enrustido bacana
Collor de Melo rima com político, lindo e eterno (para Alagoas)
Demência mental com o vocalista do Parangolé (não rimou, ok)
Swingueira rima com... deixa pra lá!
E "mulher Melão" rima com o que?
Ora, ora, rima com eleição!

Pois é, no nosso país não basta a falta de educação, a falta de cultura, a pobreza, a miséria,
o caos e nem basta a Eleição, a rima "tá" no sangue, vote "mulher Melão". Deputada Estadual
pelo PHS (Partido de não faço ideia) essa mulher inteligentíssima tá bombando na "rima" lá no Rio de Janeiro.

Nessas horas lembro-me do Sir Sílvio Santos perguntando veementemente: TENS O ENSINO FUNDAMENTAL?

Hahahahahahahahaha!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Le temps perdu!

Que saudades de um tempo que não vivi. A nostalgia não vivida relembra cultura, educação, intelectualidade. Não faz muito tempo que estudar ainda trazia vantagens, pois a educação construia o Ser. Mas os tempos são outros e tudo que é sólido se desmancha no ar, é a pós-modernidade.
O vale tudo de uma vida mesquinha se reflete no estado vegetal mental que "assistimos" pasmos. Se reflete no analfabetismo de espírito embalado por uma aculturação. É um som tolo, uma falta de poesia. É uma imediaticidade medonha reforçada pelo sistema de besteira plena. Uma fila de condenados que querem ter sem nem saber para que e não Ser. A ordem não está inversa, um dos fatores foi apagado, uma borracha no Ser.
O que tem a ver os dias de hoje para com um desprezo pelo intelecto? O que tem a falta de um sistema que exalte a educação? O que temos a ver com um modus vivendi que esmaga o saber? Tudo!
Quando o pequeno não vai a escola, o grande é um adulto frágil, um escritor garrancho, um ouvinte surdo, um cidadão ninguém, um homem de "personalidade marginal", segundo o sociólogo Stonequist. E esse sujeito vago perparssa o discurso do Ser inválido, e o mesmo já não vale mais qualquer coisa que seja.
Acredito que é a pior fase dessa pós-modernidade, quando ela inebria um sujeito tão vazio que sua postura assemelha-se ao dos primatas, puro instinto e vantagem. E quando o instinto domina, o homem vira errante, mas um errante kithsc. O mínimo são é abduzido, a educação como mínimo se desvia e não "nos" formamos nem "somos" formados, não "ditamos", "somos" ditados, não "somos" seguidos, "seguimos". Não "gostamos", "aceitamos". Não "escolhemos", a massa escolhe por "nós". Não subestime a massa, ela é ESPERTA!
É a "era do rebolation" e talvez ouvir o "rebolation" aparentemente seja só uma vontade instintiva de expulsar os demônios do trabalho e da vida cansada, talvez seja uma forma de se divertir e dizer para muitos que você é descolado, aceito, querido. A roda dos cabelos ao vento e a gente jovem reunida de hoje é regada de música ruim, poucas palavras, nada de idéias e muitos trejeitos. O pior da falta da cultura traz a "era do rebolation" como um problema que vai além e que está no cerne de uma doença para meu país: a falta de letras, palavras, a falta das exatas, a falta da real expressão. O sujeito que se deixa embalar de pouca cultura, ou nada, é um doente letárgico que está bem onde está, é o cara que é lesado, sem direitos, sem democracia. É o moço que não sabe votar, é a moça que prefere tingir os cabelos a fazer uma boa faculdade. É o negro que lhe impõe malandragem pois se formar é coisa de branco, é difícil. É o branco do Senado que rouba do outro branco, do preto, da criança e sem medo de ser culpado sorri seus dentes amareladoas a cada quatro anos. Na falta de educação a era é a da rebolação da malandragem. Millôr Fernandes diz: Entre um burro e um canalha, não passa o fio de uma navalha. E não passa mesmo, pois no burro está embutido a pobreza de espírito, a deficiência do ser, o rio da educação seco e a semente nociva do espertalhão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010


Não quero muito do que vejo
E não pretendo muito do que não sei.
Suas doses de veneno, seus desejos tão pequenos.
eu não quero ser vocês.
Ontologicamente, todos iguais.
Mas no que me toca o teu toque é bem
Terreno, eu sou ser mais supremo,
a evolução em mim foi eficaz.
Se vocês não querem minha filosofia
Não imponham a mim suas metodologias
de como um fracassado vive em paz.
Não sou vocês, não quero seu os seus
Não faço parte de muita coisa que vejo por aí.
Não quero os seus domingos, suas frases bem piegas,
Não quero os seus "domínios", nada em vocês me apetece, nada me apega.
É que sou diferente, deixei de ser demente
Minha carência são suas dores
Relevei-me em outros rostos que por aqui são poucos.
Eu não sou vocês sentados
Em seus postos de trabalho
Nas filas, nos corredores.
Eu não sou uma redentora, eu não quero te salvar
Tendo sempre a infração, tenho um feeling infrator.
Eu não quero os seus venenos
Seus trejeitos tão pequenos
Suas cabeças tão retrôs.

Imagem-quadro-desenho gráfico: merielle brandão, Os outros pequenos sobre um Crayon Conté.
Texto: merielle brandão

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O marxismo poético e divino
Nada contra a poesia, é minha primeira ressalva. Sei das emoções - ao passo que somos prosa, somos poesia. Nada contra o marxismo, é minha segunda ressalva. Sei do perfeito mundo coletivo e de como seria bom nos vermos compartilhando da mesma riqueza dos nossos amigos suíços.
O que sou contra é a efervescência de uma ideologia que a qualquer custo propaga idéias equivocadas com poesia e divindade, correndo o risco de cair no terreno da religião e de promover seguidores donos da verdade revelada sob o slogan: Meu dogma, minha vida.
Não dá para pagar de ideologia boazinha que não tem nada a ver com o massacre promovido pelo antigo bloco socialista. Cautela ao berrar que a luta de classes é o motor da história e que não podemos estar em outra época, pois o proletariado ainda não subiu ao poder. Analisem quando cantam louvores a Marx, o grande. Intelectual, universal, social, austero - aquele que chamou Hegel de cachorro morto. Cuidado quando vendem o divino marxista e a todo custo, sem ao menos saber o que estão dizendo, demonizando o sistema capitalista como única causa das desgraças humanas. E assim é a ordem: Tudo é o capital, esqueça o sujeito natural – se o homem mata, culpa do capital.
A crítica é contra esse conjunto que reforça a ideologia marxista e faz do marxismo um capítulo retrô, piegas e sentimental. Reforços gloriosos, inquisidores, dogmáticos. O divino poético marxista. É assim que chamo, pois em nada vejo diferença com essas igrejas pentecostais que vejo por aí. A comunidade marxiana é sem dúvida poética e divina. Glórias sejam dadas ao senhor Marx, aquele que mata Deus pra se tornar o próprio. É divino!
Amores e utopias sejam poetizadas: estamos diante do único sistema que tudo pode, tudo crê, tudo suporta. É poético!
Os discursos são os melhores e entre o poético e o divino surgem filósofos, sociólogos, professores e outros sujeitos que diante de platéias calorosas lançam a ideologia que rapidamente começa a ser inserida nos rebeldes sem causa. O fervor começa em qualquer lugar: sala, auditório, corredores da universidade - o sujeito que proclama em nada se diferencia do pastor que grita diante do altar pra persuadir o público depressivo.
Palavras de ordem são dadas e frases viram versículos e poemas sem o menor problema de cair no exagero. A vontade que a revolução seja feita - e a mão armada - é a mesma do idiota do Bush querendo “dominar” o Iraque. Mas o monstro mesmo é o Bush, aliás, o capitalismo que o faz ser um garoto malvado.
Entre a poesia e o divino, a cegueira e as conveniências, a invasão é feita sem pedir licença paciente e ideológica a qualquer pessoa. Embebem discursos, matérias, a filosofia, revistas e a mente dos revolucionários que vagam pelos corredores das universidades tão pacifistas quanto Gandhi. Tão embriagados quanto Baudelaire. Tão vazios de vontade e cheios das palavras dos outros quanto à mulher melancia.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

dia 13/11, signo: escorpião. Ascendente: escorpião.
Saia da frente, eu nasci e preciso passar.

Aquele que nasce, desponta.
Pulsa aquele que nasce
dentro de um universo que o abraça, o contém.

Nasci para o universo, tenho em mim o universal
daquilo que me enlouquece. Pendo sempre entre
um jazz e o estresse. Vou de coca cola a vinho tinto,
nada me assegura que em meio a tantos loucos
não me surja uma loucura.

Nasci para a confraria das certezas.
O acaso nunca me ousou, não me prende, não me surta.
Nasci pra o todo e as minhas partes só dizem
respeito ao que me cabe.
Aquele que nasce, surge. Eu cheguei para falar
gritar palavras e aqui deixarei tudo o que de mim
sou para as estrelas. A voz ressoa como um gozo.
Forte como um trovão o que sei ficará para a posteridade.

Nasci para esse universo de coisas infinitas que sou,
para essa pretensão imensa do meu eu que ama
a imagem refletida no espelho
como um Narciso pós-moderno, sedento de
ajustes, faminto de ser ele, inigualável quando
a mãe pariu, parte de algo muito além desde que nasceu.

Escorpiana convicta, nasci mais para o baile do prazer
que para me rasgar, mas o que me rasga sangra, estanca.
Estanque como tudo o que tenta me derrubar.
Eu nasci! Precisava-se disso por aqui, agora preciso passar.

Merielle Brandão

segunda-feira, 31 de agosto de 2009


Blue Man Group

Mamãe o que eles são?


Um grupo pós-moderno se mostrando como tal e escancarando a pós-modernidade teatralmente fantástica?


Ou um grupo que nascido nos anos 80 satiriza a vida pós-moderna e suas arestas suspeitáveis?


Espetáculo circence a parte, eles são de uma criatividade incrível. Barulho, música incidental, cores aos olhos acostumados com o cenário preto e branco das grandes cidades. Mas só para as grandes cidades mesmo, desde a década de 80 que de Tokio a São Paulo, agora com bastante frequência. Eles no mesmo ritmo frenético das megalópoles, descambam do alto do show que fixa olhos mais monótonos em pontos azuis que criam arte, espetáculo e estagnação.

Não posso falar muito, nunca vi um espetáculo, mas o que me chama a atenção é a fórmula secreta e pós-moderna das apresentações, (entenda-se pós-moderno aqui, tudo o que os livros versam até hoje sobre essa "nova consciência histórica".) disfarces, multi(faces), um show pra vida de hoje que rima o hoje com um futuro em que nem sempre pra ser arte, deve-se ser quadro. (Nada contra as belas obras de arte em tela), Mas que para ser arte basta que o sujeito homem se escancare, brillhe, apareça.


Texto: Merielle Brandão

quarta-feira, 12 de agosto de 2009